Entre tantas paixões e amores um continua inabalável desde minha adolescência, quando ouvi pela primeira vez o baixo ao fundo desse ritmo mágico e cadenciado, que é o Reggae em sua essência. Nasci em Belém do Pará, então nada estranho, já que os ritmos que lideram por lá são esses mesmo os caribenhos, africanos e indigenas resultando em uma miscegenação de ritmos, aliás, meu pai adorava merengue, o ritmo, não a guloseima rsrsrs....Eu estava preparada ouvi a voz de Jah e sou fiel a ele desde então, e lá se vão 30 anos acompanhando tudo que se passa no universo Rastafari. Tenho muito orgulho desse meu lado reggaeira, sempre fui conhecida como a filha de Jah ou filha do Rasta, nicks que sempre usei na internet. Em agradecimento a tudo de bom que recebo de Jah resolvi reuni tudo o que a ele se refere em especial dou destaque a Robert Nesta Marley, cujas composições, sua biografia, enfim selou de vez esse pacto de amor que tenho com o Reggae. Quando meus filhos e amigos comungam comigo desse amor incondicional que tenho pela Jamaica, pela África e sua história de dor e preconceito, lágrimas me vêm aos olhos, saber que através de mim, outros estão tendo a oportunidade de conhecer, amar e respeitar os Rastas no sentindo mais amplo da palavra. Jah!!!

Rastafari I yeahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Elsy Myrian Pantoja

Uma Filha de Jah

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domingo, 26 de setembro de 2010

ALABÊS, RUNTÓS E XICARANGOMOS - OS PAIS DOS TAMBORES



Brasileiro que me prezo, gosto de tocar tambor. Certa vez estive em um terreiro de umbanda em Piedade, Zona Norte do Rio, e fiquei tremendamente decepcionado; os pontos eram cantados sem o acompanhamento percussivo - e eu sempre achei que curimba sem tambor é feito a cerveja sem álcool e o arroz sem sal. É coisa sem vitalidade; não rola.


Perguntei ao chefe da casa sobre a ausência dos atabaques. O mais velho respondeu que as entidades já estavam num processo evolutivo bastante avançado e não precisavam mais de tambores batendo. Respeitei, é claro, mas não voltei mais lá, mesmo porque a resposta guardava um tremendo preconceito contra os cultos afro-brasileiros que usam o tambor. É dele, portanto, o tambor, que pretendo falar abaixo, em forma de desagravo e querendo fazer barulho com a mão no couro.

O atabaque, em geral, é feito em madeira e aros de ferro que sustentam o couro. Nos terreiros de candomblé costumamos chamar os três atabaques utilizados de rum, rumpi e lé. O rum, o maior de todos, possui o registro grave; o rumpi, o do meio, possui o registro médio; o lé, o menorzinho, possui o registro agudo.

O trio de atabaques executa, ao longo do xirê - a festança - , uma série de toques que devem estar de acordo com os Orixás que vão sendo evocados em cada momento da festa. Para auxiliar os tambores, utiliza-se um agogô ou gã; em algumas casas tocam-se também cabaças e afoxés.

Não é qualquer zé ruela que pode chegar numa roda de santo e meter a mão no couro. Nas casas de culto keto, os tocadores de atabaque tem o título de ogãs alabês; os jejes chamam os tocadores de runtós e os seguidores dos ritos de angola denominam os músicos de xicarangomos. A iniciação demanda tempo, recolhimento e consagração.

Meu mestre e amigo Nei Lopes, filho de Logun-Edé, ensinou a este filho de Ogum que o termo alabê vem de alagbe - o dono da cabaça - ; runtó deriva da língua fongbé, dos vocábulos houn (tambor) e tó (pai) , formando o sentido de pai do tambor; já xicarangomo vem do quicongo nsika (tocador ) + ngoma (tambor) = o tocador de tambor.

Nas tradições jeje e keto, os tambores são tocados com baquetas feitas de pedaços de galhos de goiabeira, chamadas aguidavis. O rumpi e o lé são tocados com dois aguidavis; o rum é tocado com uma única baqueta, maior e mais grossa que as outras. Nos candomblés de angola, os três atabaques são percutidos com as mãos, sem o recurso de baquetas. A tradição é séria e tem que ser respeitada

Aquele chefe de terreiro que desprezou os atabaques não sabe que, para os africanos, o atabaque é mais que um instrumento percussivo; é uma entidade poderosa. Os instrumentos musicais que um terreiro utiliza são consagrados após vários procedimentos litúrgicos, conhecidos e realizados apenas por iniciados. O tambor, como costumamos falar na língua do santo, come. O atabaque , desta maneira, é dotado do axé - potência - que lhe dá o poder de ser a voz que vai até o Orum - a morada dos deuses e dos ancestrais - e chama os Orixás, Inquices e Voduns para que eles tomem as cabeças de suas filhas e dancem entre nós.

É sabido no meio do samba que, nos primórdios dos desfiles das escolas, as baterias eram invariavelmente formadas por ogãs de candomblés. Cada bateria tinha, inclusive, uma certa linha de toque que remetia ao Orixá ao qual a escola era consagrada. A bateria do Salgueiro, por exemplo, tinha como base do seu ritmo o alujá, toque sagrado de Xangô, o patrono da escola vermelha e branca. Hoje, tempo em que as escolas de samba transformaram-se em empresas e até esquimó desfila tocando tamborim, as diferenças entre as baterias quase não são mais percebidas. É pena.

De minha parte, continuo sendo um entusiasta do tambor e dos terreiros de candomblé como as grandes escolas de formação de percussionistas brasileiros. Há um verso do poeta José Carlos Capinam que expressa com tremenda felicidade essa relação do nosso povo com o atabaque:

Há de comer, há de beber e há de tocar tambor...

Não há de comer , não há de beber, mas há de tocar tambor...

É isso: se para evoluir tiver que parar de tocar tambor, meu chefe, prefiro descascar aguidavi, arrebentar a mão no couro e não evoluir nunca.

Meus respeitos ao rum, ao lumpi e ao lé - entidades poderosas - aos alabês, runtós e xicarangomos que percutem os sons da África no Brasil e aos egunguns dos grandes pecussionistas dos terreiros, macaias, gumas e roças do nosso povo.

Mojubá !!!!

Esse Texto é de autoria de Luiz Antonio Simas do Blog

http://hisbrasileiras.blogspot.com/

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